Decididamente não gosto que me tratem por fofinha, flor, princesa, gatinha, xuxu e afins. Dá-me sempre a impressão que a pessoa não faz a menor ideia quem sou e, por via das dúvidas, trata toda a gente por igual, não vá enganar-se.
De igual modo nunca gostei de entrar numa qualquer loja e ser tratada por “a menina”. Ao contrário do que se possa pensar, não me parece tratar-se de um elogio, porque eu realmente sempre apreciei todas as idades por que passei e o tempo de menina já foi no milénio passado, assim sendo, a designação assemelha-se mais a um abuso de confiança por parte do empregado ou dono de estabelecimento que, sinceramente, não conheço de lado nenhum e a quem não permiti qualquer intimidade.
Tudo isto para chegar à designação “amigo”.
É que na mesma linha de pensamento, não consigo encaixar que alguém que acaba de me conhecer me trate por amiga, tal como não passaria pelo sentido fazê-lo. Amigo não é uma coisa que nasça de geração espontânea, que surja assim do nada ou que exista só porque sim.
Conheço pessoas há vários anos que são excelentes colegas, mas que provavelmente nunca serão amigos. Outros há, que dificilmente irão ultrapassar aquela barreira do simples conhecido. Um elevado número mantém-se na posição do quase amigo que é muito similar ao que designo por projecto de amigo.
Amigo? Amigo é alguém com quem mantenho uma relação muito especial, com características muito próprias. Alguém em quem confio, por quem nutro um imenso carinho, de quem discordo e com quem discuto sem que a proximidade seja abalada, até porque a concordância não é imposta nem exigida, mas o respeito pela diversidade sim, com quem converso mesmo em silêncio, que se afasta fisicamente permanecendo sempre ali, com quem mantenho uma intimidade completamente assexuada porque amigo não é homem nem mulher, é amigo. Tudo o resto, na melhor das hipóteses, será um potencial projecto de amigo.
Créditos: Escarlate
É exactamente isto. Assino por baixo todas as letrinhas e palavrinhas do que se escreveu aqui. Vim cá parar a cuscar os blogues do Ricardo, assim num tempo muito remoto de excesso de tempo. E bem dito passeio pela net. É exactamente isto.
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