
A memória pode ajudar a recuperar o espaço de tudo aquilo que ainda não se teve. Sim, espero uma coisa qualquer diferente daquelas que sonho todas as noites que me agitam e alagam-me de suor, tanta sombra negra, tanto peso, tanto espaço vago dentro de mim. É pelo amor que vamos, mesmo que não o encontramos...
Apetece-me recordar mas a memória é um sitio muito inquieto. Apetece-me voar e talvez voe. Abro as asas e noto como sou leve, gazoza e leve e elevo-me, parto, vivo numa bolha de ar. Tento entender a ideia de infinito, de imortalidade, de eternidade, mas reduzi todas as ideias, suposições a uma pequena luz que roça como um beijo na minha testa. Olho para dentro de mim. Às vezes dentro de mim não há ninguém.