Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ele e eu, eu e ele, nós os quatro. Os fóruns




Não sei precisar, mas estávamos mais ou menos em Setembro de 2008. Eu vinha de um tratamento de ansióliticos e passava mais a vida a dormir (mesmo que em pé) do que outra coisa. O meu cérebro recusava-se a acordar com normalidade. Tinha sonhos muito estranhos e andava na lua. Pedro ajudava-me nessas alturas. Quando eu recusava a viver a normalidade dos dias ele aparecia sempre para tornar os meus dias ainda mais anormais. Hoje sei disso, mas na altura achava que só ele me mantinha acordada.
Numa dessas tardes Pedro lembrou-se de animar o tempo que passava na Ver sem mim a registar-se em fóruns de motociclistas e entrar a matar. "E vocês fazem broxes?". Era a pergunta da praxe e correu vários fóruns sempre a perguntar o mesmo. Obviamente que em quase todos foi corrido e banido e interditado. Ficava sempre admirado com isso, mas divertia-o. Passou semanas a fazer isso, como se fosse uma promessa.
Quando já tinha o ip banido em 99% dos foruns ligados a motos ou a carros, passou para os blogues. Mas saiu-lhe mal. Num deles saiu-lhe muito mal. Numa brincadeira aparentemente inocente (na cabeça dele) lembrou-se de uma forma grosseira perguntar a um dos individuos de um desses blogues se a filha dele fazia broches. Grosseiro e estupido. Das brincadeiras mais estupidas que alguma vez o Pedro fez. O autor do blog num passo de mágica descobre a identidade do ip do engraçado, que só por acaso era o da minha loja. Onde Pedro passava as tardes devido ao meu tratamento com ansióliticos. A minha ausência deu-lhe a liberdade que ele nunca deveria ter tido. No fundo eu sei que a culpa foi minha que permiti que ele entrasse de novo na minha vida, visto que o Pedro só entrava em mim através das minhas fraquezas. Ele só estava comigo quando eu me abandonava. E essa era a maior violência permitida por mim. Eu anulava-me completamente. Ele mandava.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Estórias - Ele e eu. Eu e ele. Nós os quatro (Prefácio)




A verdade é que esta "estória" começou uns meses antes. Lembrei-me de repente durante a noite e hoje tive de vir confirmar aqui do mês que um grupo de MCs andou pela cidade de Aveiro. Lembro-me como se fosse hoje, cada cara, cada expressão e principalmente do dia 14 de agosto quando vi 2 individuos com o colete do simbolo desse MC a descer a Combatentes da Grande Guerra. Em toda a minha vida não vou esquecer o olhar que aquele homem de colete castanho trazia na cara. Naquela altura aquele símbolo representava o CC e de um jantar muito louco num restaurante chinês no lumiar - algures no principio do ano 2004. Lembrava-me a conversa e uma frase em que ele repetiu vezes sem conta "os Xmc são uma coisa à parte, estão num patamar à parte. É uma irmandade. Se for preciso morro por eles, como eles morrem por mim. É mais importante que todos os 88 e afins.". Assim de repente lembrei-me que conheci o CC num célebre jogo entre o Leiria e o Benfica e que o CC foi chamado por uma das claques do Benfica para os defender da outra claque. Ironias. O CC já não está nos Xmcs e afinal há irmandades que não são para sempre e "morrer por" pode ter muitos significados.

Adiante e voltando ao fim de semana desse 15 de agosto. Eles estacionaram em frente ao restaurante do bacalhau. Por acaso sempre foi um restaurante que me passou ao lado, embora adore o bacalhau cozido com grão que eles fazem. Eu andava excitada com a situação. O mais parecido com a noção que eu tinha de motociclistas MC era o tal CC, que já nessa altura o relacionamento andava esbatido. "Abancaram" ali durante os três dias a beber cerveja e pouco mais. Uns chegavam sozinhos, outros acompanhados. Eram altos, braçudos, cheios de tatuagens. Gostavam de se exibir. E exibiram-se. (infelizmente não se meteram com ninguém). Um da comitiva, outsider do grupo motociclista pois não tinha qualquer identificação e não tinha cara de besta (ou seja era um tipo absolutamente normal), entrou-me pela loja dentro pondo o meu coração aos saltos para comprar um canivete do Minho (qualquer coisa como maçoulo?). A verdade verdadinha é que havia ali alguns tipos que se lhe cortassemos a barba e lhe dessemos um banhinho marchavam que nem caracois... lol Eu sempre tive uma queda para bad boys.. ehehehe ah e ao pé deles senti-me verdadeiramente magra! :)

Há algumas cenas que não me saíram da memória. Uma deles foi um carro tipo americano muito antigo e com srs Xmcs ainda mais antigos que o próprio carro. Ninguém arrancava até estarem todos em tri-fila com as motas a carbonar o que fazia um barulho de excelência. Cheguei a perguntar a um deles se eles conheciam a definição de "poluição sonora" mas apenas recebi um sorriso sarcástico. Lembro-me de um tipo grande com sotaque brasileiro a entrar na Ver e a sair de lá a dizer qualquer coisa como "já encontrei o que queria", o que supus sempre que me roubou algo que nunca cheguei a saber o quê.

O Pedro já andava por cá. Mais curioso ía tirando fotos a tudo o que se mechia. Seguia-lhes os passos todos. Eu estava extasiada, mas de outra maneira. Eu e ele, mas mais ele. Estávamos excitados tal qual uns campónios que tinham visto pela primeira vez o mar. No sábado à noite desapareceram por magia. Se eu soubesse o que sei hoje se calhar não estranhava, mas na altura deu aso a uma noite detective (e muita galhofa) à procura dos cavaleiros desaparecidos. Sem sucesso. Nessa altura muito longe de saber que era mais que certo estarem para o lado das 5 bicas. Passei o resto da noite e o domingo a fazer pesquisas no google. Por onde quer que fosse, ía parar sempre a Altamont.

Foi um fim de semana para a história. E para não mentirmos o embrião da "estória" toda que vou-vos contar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Estórias - Ele e eu. Eu e ele. Nós os quatro (parte I)




Vou começar a contar uma "estória" aos poucos e quando me for oportuno. Esta "estória" começou mais coisa menos coisa entre setembro e outubro de 2008. Teve 2 protagonistas. Teve mais, uns mais sórdidos que outros, mas em caráceter permanente na novela houve duas personagens: Um tipo chamado Pedro e uma tipa chamada Helena.

Recuando para a altura entre setembro e outubro de 2008: Setembro para mim é o começo de uma época maldita em que eu me desoriento e ao mesmo me sobrevalorizo com queda para a asneirola. Sempre foi assim desde que o Rafa morreu e vai ser sempre assim. Andava aéria e indisciplinada. O Pedro aparecia sempre nestas alturas, alimentando o meu lado mau e obsceno desalinhando-me naquilo que eu achava que já estava alinhado. Mas ao mesmo tempo, o Pedro foi a salvação para uma fase terrível da minha vida mal começava a tornar-se monótona e vazia demais. Quando passei aqueles 3 anos e meio no desemprego, deixei de ter vida própria (eu acho que no meio da depressão, psicose e alucinações eu deixei mesmo de ter vida) e tropecei em várias pedras e pedregulhos ao ponto de achar na altura que jamais me ía levantar.

Adiante, o Pedro que esteve presente em alguns episódios da minha vida no meu passado - daqueles de vida ou morte (não consigo deixar de esboçar um sorriso a lembrar-me do gato e do rato de estádio em estádio - gloriosos tempos), chegando a viver comigo quando as coisas iam de mal a pior, voltou nessa época, em força, claro. Eu gosto de jogos. Ele gosta de jogos. Eu e ele. Ele e eu. Nós os quatro gostamos de jogos. Faz-nos estranhamente "acordar para a vida" embora da maneira errada que devemos acordar. Chegamos a ter uma adrenalina que vem não sei de onde e não nos deixa dormir, nem comer e às vezes nem trabalhar. Pode-se dizer que a Ver... foi muito abaixo nos últimos meses de 2008 (eu não conseguia simplesmente trabalhar) e custou a arrancar no primeiro semestre de 2009. Eu ía dando cabo de um sonho tornado realidade por causa de um jogo...


(continua)