O semeador de estrelas é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia. Durante o dia pode até passar despercebida, um bronze a mais, herança da época soviética. Mas quando a noite chega, a estátua justifica o seu título. Com a escuridão o seu nome passa a fazer sentido...
Ai prozac prozac... e eu aqui em cima a espreitar-te pela janela do quarto. Quero ir-me embora e as pernas não obedecem. Tenho aqui eu uma "herança" para te dar há mais de três meses e ainda não é desta. Não consigo descer as escadas. Mas fico no parapeito, encostada à vidraça a vigiar. A vigiar-te que nem uma adolescente de 16 anos. Esse sr aí da frente, com fita vermelha, é que já saía da tua frente...
Não sei se perceberam mas eu quero ir para casa. Bom dia para me convidarem para uma castanhada e jerupiga. O Manel não podia ter mesmo outra casa. Tinha de ser em frente de. Acho que hoje vou dormir no parapeito desta janela.
Ando muito, muito, muito inquieta por causa da herança. Rouba-me horas de sono, inquieta-me o telefone, cria-me ansiedade nos mailes, leva-me para caminhos que não quero ir. Inquieta-me, inquieta-me, inquieta-me. Sobressalta-me mesmo. Devassa-me.
Herdei um portátil no sábado. "Ah fica com ele que eu para onde vou não preciso dele". Podia ter me deixado a pen carregada para eu navegar na net, mas não, foi só um computador velhote, cheio de pastas e pastinhas com milhares de fotos e imagens e documentos e semi documentos e números de telefone, e mensagens e cartões e passwords de cartões... A sensação que tenho é que herdei uma bomba relógio e não um portátil...
Há uma frase que não me sai da cabeça. "Promessas são dividas". Há outra frase que não me sai da cabeça "Não é bera é perigoso". Não sei se tenho força suficiente para apagar tudo. Sim, tenho a certeza absoluta que não tenho força suficiente para apagar tudo. Vou comprar 1 pen de 8Gigas (deve chegar) gravar tudo para lá e escondê-la muito bem escondidinha para não me lembrar onde a puz. Esta deve ser a minha cruz. Deve ser por isso que "grande parte do que acontece" é minha.
A memória volta sempre sem que se possa fazer nada para evitá-lo. Os dias antigamente eram todos diferentes. Não tenho vontade de voltar a sitio nenhum. Nem de ficar. Se ao menos eu não pensasse em nada! Acho que dentro de mim deixou de haver alguém. Não sei onde vou encontrar coragem... Não sei se é coragem o que se encontra.
Deixei tudo como deixaste Só retirei os espaços em branco Acredito que tenhas mais que fazer Do que carregar com espaços feito de nada...
Eu prometi. Eu prometei portar-me e vou cumprir. A tentação é diabólica, mas tá prometido. Embora saiba que se me portar bem nunca mais vou ver sequer a sombra. É o mau que há me mim que o traz até aqui e não o bom. E isso entristece os meus dias. Tira-me do beco, mas deixo de ver o sol.