É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso,
O que sinto,
O que digo
E o que faço,
É que pede castigo.
E desespera a lança no meu braço.
Absurda aliança
De criança
E de adulto,
O que sou é um insulto
Ao que não sou;
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou.
Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido,
Nem convencido,
E agrido em mim o homem e o menino.
Miguel Torga, Orfeu rebelde (Coimbra, 1958)
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