Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conversas de café - Terça



Terça fui ao Porto. Andava à procura de correntes e de sacos de papel. Mas como já tinha prometido há muito tempo, fui ter com o AQ. Gosto de conversar com ele. O problema é que ele sabe pensar e isso às vezes é bom, mas também não.

Eu: Ando naquela fase novamente de querer dar nas vistas. É mais forte que eu. Quando estou a pensar já estou a fazê-las...
Ele: Já tinha reparado que andavas outra vez na fase das pulgas. Para muitas pessoas a falta de atenção dos outros é um óptimo catalisador para abalar para outras paragens. para ti é um motivo para ficares e fazeres figura de tola.
Eu: obrigado pela sinceridade.
Ele: É mentira?!
Eu: Mais ou menos. Não há uma total falta de atenção do outro lado.
Ele: Não há? Ou há e és tu que queres ver outros sinais?
Eu: Nim
Ele: Se toda a vez que pensasses em chamar a atenção quer por mails, sms, ou telefonemas podias pôr o valor dessa acção num mealheiro. Se calhar ajudava-te a pagar as contas.
Eu Ri-me. Se eu pusesse num mealheiro o valor das acções que penso num espaço de 3 meses já tinha o euro-milhões no mealheiro. O melhor é só juntar efectivamente quando ultrapassa o pensamento e já passa a acção. Porque pensamentos são por minuto. Já não é como antigamente, já me contenho muito. Resguardo-me. Não carrego o telemóvel, identifico-me para fugir ao anonimato. Saber que eles sabem que eu ando aí novamente faz-me pensar duas vezes de avançar pela anormalidade adentro.
Ele: mas como eles sabem? Avisas?!
Eu: Sim, claro. Aviso. É a única maneira que tenho de não carburar a 100%. O anonimato leva a caminhos que não quero voltar. Ser conhecida como atrasadinha mental não me faz mossa nenhuma, até porque eu sei que em crises como esta navego por esses caminhos. O que tento fazer é proteger-me daquilo que não consigo controlar.
Ele: Continuo a não perceber porque não consegues controlar. Tens tomado a medicação?
Eu: ahahahaha Não consigo. Não é por birra. Não consigo. Não me controlo. Chega à noite e para adormecer tenho de comunicar. Durmo melhor assim. Aos domingos que fico em casa e me deito acaba por acontecer também. Comunico. E se não querem comunicar comigo é pior.
Ele: Isso é mesmo um comportamento desviante. Até acho simpático que tenhas criado alguns mecanismos para não avançares nessa coisa sem sentido que desenvolves em ti e sem prazer nenhum. Que prazer isso te pode dar? Dormir melhor?! Já ouviste falar em chá de camomila?
Eu: Estás a gozar. Estás a ter as mesmas reacções que quase toda a gente tem. Foge dos vossos parâmetros de normalidade e passa a ser anormalidade. Eu devo ser uma gaja extraordinária porque eu relativizo e aceito as várias taras que os meus amigos têm e que muitas das vezes também não compreendo.
Ele: Não estou a gozar. De facto não compreendo a necessidade que tens de fazer isso. Considero-te uma das pessoas mais inteligentes e sensíveis que conheço e depois tens essa necessidade de ser parva que não sei onde encaixar. E não me convenço com argumentos tipo "não consigo é mais forte que eu mas eu até criei mecanismos para não me avançar muito na pouca - pouquíssima - confiança que me dão". Continuo a aconselhar o mealheiro e se em tão pouco tempo chegas ao euro-milhões, excelente, daqui a 3 meses já estás a passear em Aveiro com uma harley.
Eu sorri. Bloqeio. Não consigo passar para essa fase. Era mais certo que não poupava nada. Punha no mealheiro mas fazia na mesma.
Ele: lamento mas assim nunca vais viver os mundos que gostas mas que por tua culpa não vives porque os afastas com essas taras. 99% das pessoas não olha as pessoas para lá das entrelinhas, só vêem o cartão de visita que as pessoas trazem na testa e o teu cartão assim não fica atractivo para ninguém, pelo contrário.
Eu: mas eu quero lá saber dos sorrisos. Achas que vou estar à espera que um dia alguém me vai sorrir e conviver comigo?
Ele: E então e achas que à força ele vai sorrir-te e conviver contigo?
Eu: que força?! Não estou a obrigar ninguém. Não comunico assim para ele me sorrir ou conviver. Na melhor das hipóteses afasta-se para sempre.
Ele: Tu percebeste a ti própria?
Eu: Sim, se não os posso ter perco-os para sempre.
Ele: eu repito: tu entendeste a ti própria? Que incoerência é esta? Se os queres perder para sempre porque tens cuidado a criar mecanismos de defesa? Então estoira com a coisa!
Eu: Por muito que me desse jeito ir passar uns dias ao hospital, não me apetecia agora.
Ele: Tretas. Tretas e mais tretas. Estás a estragar tudo com as tuas taras. Tens pessoas que não são eles, mas que estão no meio, que gostam de ti, que te respeitam, que divulgam as tuas artes, que de certeza que nao queres perder. E no meio deles já havia pessoas que estavam a dar o beneficio da duvida. Estás literalmente a estragar tudo e consequentemente a tua vida e o prazer que tens no meio. Continuo a apostar no mealheiro. E na harley que vais ganhar com essa iniciativa.
Eu: Não percebes.
Ele: Não percebo eu, não percebes tu nem eles percebem. Aliás ninguém percebe. Mas já era tempo de dares a volta por cima e agarrares a vida tal como ela é, sem te agarrares a peluches que não levam a lado nenhum, só aos tais becos.
Silêncio.
Eu: É um vicio como outro qualquer.
Ele: Não é um vicio. É uma tara. Mas é ultrapassável para algo que te faça bem.

2 comentários:

  1. Vieste à minha terra e nem um hello?! :p

    Beijinho,

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  2. Compreendo na totalidade o conteudo do texto, não compreendo o pq dessa pouca ou nenhuma auto-estima. Desse capricho que tens em lhe dar importancia... Tenta ao contrario... já te disse que resulta. O "outro" aquele que tem levado recados e mais recados, não me larga a tasca, passo a vida a manda-lo embora, mas nao me larga a tasca. Não me ama, nao me quer, mas não sabe nem consegue estar longe de mim... E passa a vida a desdenhar-me... Tira o picaxu da tua vida e coloca um Darth Vader... é mais forte e tenebroso... vais ver que o outro lado começa a pensar de outra forma... :)) Beijos <3<3

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