Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O meu telefone é como uma sirene particular. Toca. Chama. Geme. Umas vezes tem medo e não toca. Outras, alarma até se atender.

Não são telefonemas. São suspiros, pedidos calados de ajuda. Soam diariamente às dezenas de milhar. Só precisam de chamar. Não falam. Calam. Ouvem. Apenas.

Telefono-lhe todos os dias de madrugada. Quando ele atende, desligo. Não preciso de falar. Ele sabe quem sou. Às vezes falamos. Horas e horas durante a noite.

Vou-me deitar com saudades. A maior parte das vezes não tenho nada para dizer. Ele ouve-me a respirar. Às vezes a chorar. Quando demoro mais tempo, quando a dor é maior, ele diz o meu nome. Devagar.

Eu desligo. Volto a dormir.

Quando não telefono, não durmo. Telefona-me ele. Eu atendo sem falar. Espero que ele diga o meu nome. Se a voz é triste, respondo. Digo o nome dele. E desligo. E não durmo. É a voz dele em eco. São os meus olhos transbordados d’água. São sonhos à luz de vela.

São… chamadas.

Fico acordada. Arrependo-me de ter falado. Ansiosa por ouvi-lo mais uma vez. Mais um comprimido para dormir, e estou zonza de sono. Telefono-lhe mais uma vez, e chamo por ele. E desligo antes de ele me responder.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Sweet messages