Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A dor frágil do tempo

Que seria de mim se, quando precisei, me tivessem escutado? Que seria de mim se, quando me procuraram, me tivessem encontrado?

Todos me censuram, mas eu sou assim mesmo, adoro ir e vir, fugir e reencontrar-me nas palavras. E também nos silêncios. O tempo anda sempre para a frente, não pode perder-se que tanta falta faz. Por isso tomei balanço para o salto da coragem conquistando as minhas últimas forças. Encarei-os. Era como se tivesse a jogar uma partida de ténis. A bola vai de cá para lá, ganha quem percebe que é preciso que gostem de nós, que é preciso gostar dos outros, que é preciso acertar neste dar-receber, que é preciso também olharmo-nos no espelho de que somos, sentimos, pensamos, fazemos e gostamos de nós.

O que me traz aqui nasce todos os dias como uma paz a sossegar-me, como uma batalha por cumprir. Em tempos, nem me era possível chorar, tanta era a dor que andava dentro de mim. Dêem-me a justiça e a liberdade deste silêncio. Há tantos falsos heróis onde a coragem falta... ando a colar-me aos bocados. Será que dentro de mim não há ninguém?!

Sim, também eu, procuro a coragem no momento certo, tal qual Fernão Capelo Gaivota a julgar que o mar vai secar e prepara um último mergulho. A vida fica suspensa. É o meu silêncio. Advinho mais do que ouço.

Ele: "Não sei por que ainda te ligo. Tu não existes. Não dizes nada real. Pões-te para aí com metáforas e advinhas... Não falas como as pessoas".

Mas a vida continua. Sempre. Sempre a fugir, fingir, mentira, ilusão, cresce sempre, basta só começar. Fingir que a vida continua mesmo e que para já estou pronta para ela. De novo.

Eu: "Não é a dor que me assusta. É não ter uma saída."

Ele: "Às vezes o que fica é o medo de ficar, sabes?"

Tornei-me viciada em computadores. Em emailes. Em blogues e facebooks. Em fóruns. Em sms. Fantasmas que me tiram o sono, numa vigília de quem prepara uma armadilha. Quando queremos muito ser amadas, muitas palavras nos parecem palavras de amor. Parece-me que confundi a fronteira entre o real e o virtual. Entre o lado de cá e o lado de lá, entre o que me parece certo e o que me parece errado, entre o que devo fazer e o que devo evitar. Para que lado vou cair?... Fecho os olhos com medo de olhar para baixo em vertigem. Com medo de cair outra vez. Gostava de ter a coragem de fugir... sem querer voltar para trás e contar tudo. O mundo pode ser um sítio triste e infinitamente pequeno para quem o mundo cabe na palma da mão.

Ele: "Eu ajudo-te."

Eu: "Ajudas-me?!"

Ele: "Tu não estás bem.... tu sabes..."

Eu: "Bem?! Eu tou bem.... isto tem sido a minha companhia, os meus sonhos, a minha imaginação, as minhas viagens, os meus amigos. Quando eu quiser vou e volto, seja onde for e com quem for."

Ele: "E amigos reais, tens?"

Eu: "Quando te apetece... tenho"

Era a resposta que davam todos os viciados, tivessem eles o vício do cigarro, das drogas, que mesmo as leves são pesadas, do álcool, droga tão cobarde como as outras. Fosse o que fosse todos os viciados são iguais, tão iguais que dói não poder distingui-los.

Durante dias estive no Top Mais do fórum virtual. Muitos posts a falarem e a comentarem ainda mais, fazendo suposições, procurando manter online tópicos à custa dos problemas dos outros. O desespero inventa verdades e conformismos. Transformam-me a dor em fúria, a fúria em raiva, a raiva em violência...

Esses dias ficam com um peso insuportável. Julguei que iria perder a vontade para sempre. A vida é o ruído que nós lhe damos, mesmo nos silêncios da paz que sabemos inventar. Ficar aqui, talvez para sempre, talvez para nunca mais. Os pormenores doem. Há também pequenas armadilhas menos terríveis onde se pode ficar preso... o tempo tornou-se uma coisa confusa, lenta e prolongada. Afinal as palavras servem para construir pontes onde a vida chega mais dificilmente.

Tens sido muito importante para mim, por aquilo que me dizes, por aquilo que sabes calar e me permites não dizer. Dizes-me para não pensar. Para seguir em frente. Com menos raiva, com a dor mais localizada. Não se recupera o que se perdeu para sempre. O tempo não cura nada! Dá é uma dimensão menor à dor que se vai aninhando numa parte sombria de nós, sem consolação. É a nova etapa que não se deve, não se pode recusar. Tentar aprender na vida o que a vida ensina: quem são as pessoas, o que sentem, como é que se pode sentir e aprender a sentir...
Levo a tua sombra agarrada mas sei que é comigo que posso contar para as vitórias que vou conseguindo. A vida fica lá fora e não interessa mais nada. Não tenho saída a não ser a de ser mais do que já sou. Nada é certo e garantido, vou inventando dia após dia segredos de viver. Ir mais além e não voltar para trás.

É preciso que eu seja a minha melhor amiga para continuar a acreditar.

5 comentários:

  1. Como tu mesma dizes, às vezes parece que estamos a passar pelo mesmo.

    Pois é, revejo-me em muitas frases e muitas fases.

    E lá/cá ando, entre altos e baixos e descobertas e ganhar e largar de vícios.

    Ao menos estou viva, tento, luto e, mais ou menos, vou acreditando e aprendendo.

    Um beijinho grande,

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  2. Então vamos ver se nos entendemos numa coisa. 1º nem sempre é possível responder a uma msg tua, qt mais a 20 de seguida. Às vezes não tenho vagar nem paciência para as tuas big paranóias mas não deixo de gostar de ti e não deixo de estar lá quando tu precisas (realmente). Tu exiges muita atenção, mais que a minha filha que só tem 6 anos...
    Nunca mandei xateares o tal prozac, do qual não conheço mas nutro por ela uma grande admiração. 1º porque te mete em sentido (coisa que eu não sei fazer) e 2º porque tem uma enorme paciência se não já te tinha rifado na 1º feira de ciganos que lhe aparecesse pela frente.
    Quanto a vícios se sabes que és viciada só tens de criar mecanismos para não caires em tentação. E uma delas está provado que é manteres-te ocupada. se não há muito que fazer na Ver este mês, inventa! Muda as coisas das prateleiras, faz um inventário, arruma a oficina, começa a criar para o dia de são valentim e para a Páscoa. Ocupa-te! Estás a abrir muito espaço à desocupação!
    Por isso atina-te e hoje à noite bebemos um café, ok?

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  3. Izzie um beijinho grande para ti.
    João, tá bem. Não foram 20 e sabes bem que o problema não é esse. Mas falamos hoje à noite no café. Se eu tiver coragem de sair de casa com este frio. :p

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  4. ah e outra coisa João, para ver se nos entendemos... o meu problema não são os dias... são as noites!

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  5. É preciso que eu seja a minha melhor amiga para continuar a acreditar. - ora bem Dona Helena.

    De resto eu se fosse a ti largava os anti-depressivos, os comprimidos para dormir, os calmantes, e essas coisas. Está provado que não te estão a fazer bem. Aliás eu sempre disse qe tomavas demasiado essas porcarias. Isso não é nem deve ser a tua bengala para o bem estar! Capice?

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