Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Estórias - Ele e eu. Eu e ele. Nós os quatro (Prefácio)




A verdade é que esta "estória" começou uns meses antes. Lembrei-me de repente durante a noite e hoje tive de vir confirmar aqui do mês que um grupo de MCs andou pela cidade de Aveiro. Lembro-me como se fosse hoje, cada cara, cada expressão e principalmente do dia 14 de agosto quando vi 2 individuos com o colete do simbolo desse MC a descer a Combatentes da Grande Guerra. Em toda a minha vida não vou esquecer o olhar que aquele homem de colete castanho trazia na cara. Naquela altura aquele símbolo representava o CC e de um jantar muito louco num restaurante chinês no lumiar - algures no principio do ano 2004. Lembrava-me a conversa e uma frase em que ele repetiu vezes sem conta "os Xmc são uma coisa à parte, estão num patamar à parte. É uma irmandade. Se for preciso morro por eles, como eles morrem por mim. É mais importante que todos os 88 e afins.". Assim de repente lembrei-me que conheci o CC num célebre jogo entre o Leiria e o Benfica e que o CC foi chamado por uma das claques do Benfica para os defender da outra claque. Ironias. O CC já não está nos Xmcs e afinal há irmandades que não são para sempre e "morrer por" pode ter muitos significados.

Adiante e voltando ao fim de semana desse 15 de agosto. Eles estacionaram em frente ao restaurante do bacalhau. Por acaso sempre foi um restaurante que me passou ao lado, embora adore o bacalhau cozido com grão que eles fazem. Eu andava excitada com a situação. O mais parecido com a noção que eu tinha de motociclistas MC era o tal CC, que já nessa altura o relacionamento andava esbatido. "Abancaram" ali durante os três dias a beber cerveja e pouco mais. Uns chegavam sozinhos, outros acompanhados. Eram altos, braçudos, cheios de tatuagens. Gostavam de se exibir. E exibiram-se. (infelizmente não se meteram com ninguém). Um da comitiva, outsider do grupo motociclista pois não tinha qualquer identificação e não tinha cara de besta (ou seja era um tipo absolutamente normal), entrou-me pela loja dentro pondo o meu coração aos saltos para comprar um canivete do Minho (qualquer coisa como maçoulo?). A verdade verdadinha é que havia ali alguns tipos que se lhe cortassemos a barba e lhe dessemos um banhinho marchavam que nem caracois... lol Eu sempre tive uma queda para bad boys.. ehehehe ah e ao pé deles senti-me verdadeiramente magra! :)

Há algumas cenas que não me saíram da memória. Uma deles foi um carro tipo americano muito antigo e com srs Xmcs ainda mais antigos que o próprio carro. Ninguém arrancava até estarem todos em tri-fila com as motas a carbonar o que fazia um barulho de excelência. Cheguei a perguntar a um deles se eles conheciam a definição de "poluição sonora" mas apenas recebi um sorriso sarcástico. Lembro-me de um tipo grande com sotaque brasileiro a entrar na Ver e a sair de lá a dizer qualquer coisa como "já encontrei o que queria", o que supus sempre que me roubou algo que nunca cheguei a saber o quê.

O Pedro já andava por cá. Mais curioso ía tirando fotos a tudo o que se mechia. Seguia-lhes os passos todos. Eu estava extasiada, mas de outra maneira. Eu e ele, mas mais ele. Estávamos excitados tal qual uns campónios que tinham visto pela primeira vez o mar. No sábado à noite desapareceram por magia. Se eu soubesse o que sei hoje se calhar não estranhava, mas na altura deu aso a uma noite detective (e muita galhofa) à procura dos cavaleiros desaparecidos. Sem sucesso. Nessa altura muito longe de saber que era mais que certo estarem para o lado das 5 bicas. Passei o resto da noite e o domingo a fazer pesquisas no google. Por onde quer que fosse, ía parar sempre a Altamont.

Foi um fim de semana para a história. E para não mentirmos o embrião da "estória" toda que vou-vos contar.

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