Não sei precisar, mas estávamos mais ou menos em Setembro de 2008. Eu vinha de um tratamento de ansióliticos e passava mais a vida a dormir (mesmo que em pé) do que outra coisa. O meu cérebro recusava-se a acordar com normalidade. Tinha sonhos muito estranhos e andava na lua. Pedro ajudava-me nessas alturas. Quando eu recusava a viver a normalidade dos dias ele aparecia sempre para tornar os meus dias ainda mais anormais. Hoje sei disso, mas na altura achava que só ele me mantinha acordada.
Numa dessas tardes Pedro lembrou-se de animar o tempo que passava na Ver sem mim a registar-se em fóruns de motociclistas e entrar a matar. "E vocês fazem broxes?". Era a pergunta da praxe e correu vários fóruns sempre a perguntar o mesmo. Obviamente que em quase todos foi corrido e banido e interditado. Ficava sempre admirado com isso, mas divertia-o. Passou semanas a fazer isso, como se fosse uma promessa.
Quando já tinha o ip banido em 99% dos foruns ligados a motos ou a carros, passou para os blogues. Mas saiu-lhe mal. Num deles saiu-lhe muito mal. Numa brincadeira aparentemente inocente (na cabeça dele) lembrou-se de uma forma grosseira perguntar a um dos individuos de um desses blogues se a filha dele fazia broches. Grosseiro e estupido. Das brincadeiras mais estupidas que alguma vez o Pedro fez. O autor do blog num passo de mágica descobre a identidade do ip do engraçado, que só por acaso era o da minha loja. Onde Pedro passava as tardes devido ao meu tratamento com ansióliticos. A minha ausência deu-lhe a liberdade que ele nunca deveria ter tido. No fundo eu sei que a culpa foi minha que permiti que ele entrasse de novo na minha vida, visto que o Pedro só entrava em mim através das minhas fraquezas. Ele só estava comigo quando eu me abandonava. E essa era a maior violência permitida por mim. Eu anulava-me completamente. Ele mandava.
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