Tínhamos partilhado ideias, sonhos e promessas e nessa noite, nostalgia e desenganos.
Estava perplexa como dois seres que nem se podiam ver, se tinham sentado naquela mesa a trocar confidências. Às vezes a vida é tão cruel que junta muitos desesperos. É o que eu penso...
Se calhar, ele também estava surpreendido com o que falámos, com o que calámos, com a certeza das mentiras necessárias que dissemos um ao outro, com o que bebemos. Sem partilhar nada, partilhámos tudo. Rimo-nos e lacrimejámos juntos. Falámos da morte, de princípios, do nosso compromisso com as ideias/ideais dum grupo, da tristeza, da obrigação de as cumprir.
Ele: Tu és estranha. Na vida real, só existes para ti própria. És mesmo personagem para um palco.
Tive a impressão de que ele me olhava com mais intensidade do que nunca, como se os olhos quisessem guardar-me para sempre na memória.
Há fugas impossíveis.
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