fotofernado cardoso
Levo para a rua o corte e a costura,remendo o remendo que tenho de remendar em mim.
Levo para a rua, e vejo a gente que passará por ali
aquela gente que nem me entende e nem se importe de mim...
Aquela velha máquina, que funciona com carretos de linha dura
certamente irei coser o que me quer saltar para fora
com força, vou empurrando para dentro, como esponja.
Costuro, por muito duro que seja.
Costuro.
Trago para a rua a máquina que me cose com linhas grossas, costuras de mestre.
Nesta calçada perfeita, irregular nas passagens fará com que a linha se prenda,
se parta na esperança de não me prender.
Depois do corte e costura, sento-me ao pé de toda a gente que passa.
E não vejo ninguém passar por mim.
Aquela cadeira vazia, avisa-me que estarei sozinha outra vez.
Mas vou ficando por ali, para que todos saibam o que faço
para que todos vejam o que coso
trouxe a minha máquina para a rua!
Para me poder coser e remendar, com um ruído que se oiça
com velocidade no pedal
no qual carrego com toda a minha força.
Carrego com força, e ninguém me vê, não me sentem...
Na esperança que não se rompa tudo o que vou costurando em mim.... coso.
Depois deste corte e costura, que assim , só porque sim, trouxe para o meio da rua
sei que não te descoserei de mim.
Ninguém passou e ninguém se sentou à minha frente
Ninguém ouviu o ruído que eu fazia de ti.
Teresa Maria Queiroz
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