Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Corte e Costura

foto
fernado cardoso


Levo para a rua o corte e a costura,remendo o remendo que tenho de remendar em mim.

Levo para a rua, e vejo a gente que passará por ali
aquela gente que nem me entende e nem se importe de mim...

Aquela velha máquina, que funciona com carretos de linha dura
certamente irei coser o que me quer saltar para fora
com força, vou empurrando para dentro, como esponja.

Costuro, por muito duro que seja.
Costuro.

Trago para a rua a máquina que me cose com linhas grossas, costuras de mestre.

Nesta calçada perfeita, irregular nas passagens fará com que a linha se prenda,
se parta na esperança de não me prender.

Depois do corte e costura, sento-me ao pé de toda a gente que passa.

E não vejo ninguém passar por mim.

Aquela cadeira vazia, avisa-me que estarei sozinha outra vez.

Mas vou ficando por ali, para que todos saibam o que faço
para que todos vejam o que coso

trouxe a minha máquina para a rua!

Para me poder coser e remendar, com um ruído que se oiça
com velocidade no pedal
no qual carrego com toda a minha força.

Carrego com força, e ninguém me vê, não me sentem...

Na esperança que não se rompa tudo o que vou costurando em mim.... coso.

Depois deste corte e costura, que assim , só porque sim, trouxe para o meio da rua

sei que não te descoserei de mim.

Ninguém passou e ninguém se sentou à minha frente


Ninguém ouviu o ruído que eu fazia de ti.

Teresa Maria Queiroz

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