Sou demasiado sábia para cair em confrontos irredimíveis. Boato para não bater, conspiro para não apunhalar, desdizo-me para melhor me dizer. Ser vitima de um boato compensa mais do que ser vitima de um crime. E esta evidência remonta a D. Sabastião. Se os marroquinos o tivessem empacotado de volta a Portugal, nunca teria ascendido ao estrelato. A vitima de um crime é sempre suspeita, pelo menos da falta de capacidade de defesa - se não mesmo da conivência com o criminoso.
Qualquer história de vida tem as costas largas, e quando não temos mais para onde atirar as culpas atiramos para as costas dela, porque cabe lá tudo.
Quando o Tiago morreu, senti que me abriam o peito e me chupavam o sangue do coração e as pessoas diziam "faz-te crescer". Quando o meu melhor amigo me traiu, levando com ele o hábito de confiar que eu trazia da infância, as pessoas diziam "faz-te crescer"; quando fiquei desempregada as pessoas diziam "faz-te crescer", quando andei em luta com os Rapazes e fiquei quase sem amigos e ensurdecida pelo silêncio telefonava a alguém, as pessoas do lado de lá da linha diziam "faz-te crescer".
Hoje que já sou crescida não tenho fé nem alegria nem confiança em nada do mundo. Deixei de acreditar na palavra, e nas promessas.As vezes até deixo de acreditar em mim. Habituei-me a acreditar que tudo é relativo e que não podemos julgar o que quer que seja.
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