Várias vezes Portugal parece que vai acabar mas continua normalmente. Como alguém já me disse e com toda a razão, uma regra comum cá por casa é a das empresas não irem à falência, mas viverem falidas. Com Portugal é o mesmo.De há uns quinhentos anos à actualidade que nos vimos queixando da decadência. Quer dizer, continuamos vivos e portugieses - enigmaticamente portugueses - mas decadentes. Uma especie de mortos-vivos, embora com um aspecto agradável.
No fundo ninguém nos quer matar verdadeiramente como Estado, autorizando-nos a viver, mesmo em longa e fatal doença. Porque as Pátrias morrem tal como os homens. E morrem certamente quando já não houver ninguém para as defender. Já Chesterton dizia que as Pátrias não são seres humanos, mas criações humanas.. Há quem proclame um cataclismo para renascer do zero. Outros acham que a ressuscitação de Salazar punha mão nisto. Uma sra muito cómica dizia que se devia parar a democracia por 6 meses.
Para mim falta aqui à Pátria a noção de sofrimento pelo colectivo. Sofrem nas queixas, mas não sofrem nas soluções. Alguém que resolva! E aprendem pouco o que sofreram. Somos uns pessimistas natos e mesmo assim vivemos como optimistas disfarçados. Acreditamos que há um dia melhor ao dobrar da esquina e a verdade é que pode não haver. Ninguém prepara ninguém para o pior. É como se, por caridade ou por medo, não se quisesse revelar o cancro terminal a um doente simpático. Ora só um discurso politico inteligentemente pessimista pode produzir cidadãos preparados e contentes. Porque se o futuro for melhor, exultarão; se for pior estarão à espera dela, de dentes cerrados, como os habitantes de Minas Tirith, cercados pelas trevas, no terceiro volume do Senhor dos Anéis, do mestre Tolkien.
Os alemães tiveram quarenta e tal anos de purgatório. Foram precipitados no inferno, na humilhação e na miséria, em 1945. Como já havia sucedido em 1918. E hoje estão visivelmente Uber Alles. Cerraram fileiras, calaram questões internas menores e esperaram pela sua hora.
Nós por cá continuamos divididos em questões que já não fazem sentido. Quando nos arriscamos a perder a soberania, de que serve o PSD triunfar sobre o PS ou vice versa? Que felicidade poderá hoje um fascista ter por ver humilhado um militante do PC ou vice versa? A grande questão é a divida mostruosa que temos na UE e que nos arriscamos a perder tudo até o direito de falar português!
Até nas quizílias andaos atrasados. Federalistas ou anti-federalistas? A grande massa preocupa-se com as lutazinhas herdadas em 1975. E os mais novos não se preocupam com nada de excessivo.
Há muita gente por aí que ainda não era nasciuda quando o general Spínola tornou conhecido o seu monóculo, disposta a "fazer qualquer coisa". Falta porém a coisa. Ou outra.
Eu gostava ainda de ver todas as facções politicas a arregaçar as mangas e a "salvar" Portugal, independentemente se se dão bem ou não. Unir ideias, discutir ações e agir. Isso sim é que é salvar Portugal.
Não tens de agradecer. Permite-me...a tua tendencia politica pende para que facção? E a tua curiosidade acerca do nacionalismo prende-se com que facto?
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