Eles seguem-me, mas eu não faço puto de ideia para onde estou a ir...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vodka. Muito Vodka

Angústia. Guerra. Paz. Dormir. Não estar. Como morta. Morrer? Não, claro que não…

Esperar. Vigiar. Aguentar. Saber partir. Mas, acima de tudo saber voltar. Quem me adivinharia com pânicos, pavores, o medo do mundo? Uma pessoa ou se abandona ou está perdida. Eu abandonei-me… Já não tenho medo de nada. Por isso é que fujo. Um vazio de inércia. Uma espécie de nostalgia, nem triste, nem alegre. Um amor livre. Juntos, cada um por si com o outro. Mas vocês não sabem o que pesa a repetição dos dias.

Voltar viva, sempre. Um dia, envelhecer. Mais nada. Não!… sobreviver. Sonhar a luz. Quiseram-me proteger do barulho do mundo. Conseguiram. Construíram perfeitamente o silêncio à minha volta. Talvez pensem que eu esteja feliz, lá onde me refugio. Na vida de todos os dias. Não sou eu mesma. Sou do reino do “se”: “vive-se”, “trabalha-se”, “é-se”. Não se é de ninguém. Esse tempo perdi-o. Não sou uma mulher de quem se pode estar à espera sem se sofrer. Eu estou aí… ou não estou aí… Surjo. Não, ninguém está à espera de nada.

Não ceder. Fintar… Ficar por terra. Mentir. Enganar. Sei que me vais apanhar. Quando me apanhares, perco-me. Mas volto sempre. Só eu conheço as minhas horas de liberdade. Aguentar! Resistir! Não ceder! Arriscar, assumir os riscos. Arriscar tudo por tudo sem sequer o saber. Aguentar, não ceder. “Eu quis assim”. Evitar a ruptura. Agarrar-me com força ao fio da minha vida. Preencher uma ausência que não apaga nada. Que quis eu exactamente? Ninguém escapa ao sonho quando o sonho traz esperança. Mas essa esperança perturba-me. Apercebo-me que o medo vem de mim própria.

Não quero dormir. Não ceder. Olhos abertos. Não, não fechar os olhos! Oh! Sem forças… vencida…

Indiferença. Banalidade. Isso é que mata! Estou calma. Já não tenho medo de nada. Feliz, deixo-me viver. Em situações bizarras como eu vivo, perdemos a faculdade de julgar. Compreende-se a banalidade do mal. Ficamos vazios até de lágrimas. Parecemos pedra, fria e batida pela chuva. Sabemos que a dor nos vai atingir. Quando chegamos a casa à noite, pela manhã, já, ou mais daqui a bocado. Há muito que deixei de acreditar em Deus.

Gostaria de gritar... O que nos leva a pensar que sabemos o caminho de casa? Com quantas certezas se faz um salto mortal? Não vou a lado algum… Passo. Não quero ver os sinais de perigo. Fujo. Perco-me. Num labirinto estreito. Sem encontrar a saída. Aliás, sem a querer encontrar.

Nota de rodapé: “Helena caiu do precipício à beira do qual dançava havia algum tempo. Sem nunca dar explicações. Helena escolhera a loucura. Mas apesar de possuir um espírito perturbado característico do séc. XIX, Helena não estava louca — infelizmente”.

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