Odeio despedidas. Deve ser por isso que também não sou muito adepta de aeroportos ou qualquer lugar onde essa cerimónia possa acontecer. É uma hora ingrata para qualquer pessoa mas alguns sabem lidar melhor com este tipo de situações. Eu não. Talvez seja pela certeza de ser este, que acompanhei ao aeroporto Sá Carneiro, um grande amigo, daqueles que não se esquece, que te acrescentam alguma coisa na tua vida. Este tipo de despedida, a dos grandes amigos, é sempre assim, poucas palavras, mesmo que se tente falar pelos cotovelos, é uma sensação estranha que nunca mais se verá esse amigo de novo (a não ser pelo facebook), ainda que isso seja patetice. Pelo menos comigo foi sempre assim.
Com o Paco - esse italiano maluco que foi embora hoje - foi muito estranho. Conheci-o através da "estória" sem adjectivo dos fóruns, pedros, anjos, amigos imaginários e afins. Ele tinha vindo fazer uns trabalhos em Portugal, ido a umas festas, ouvindo umas histórias, meteu conversa na net com o alho e foi o bogalho que conheceu. Ou a bogalha. Encurtando a história destes 2 anos, ficou em minha casa um tempo, depois foi para outro lado. Conheceu os meus amigos, acho que gostou de todos e especialmente a mim. Foi aí que comecei a perceber que ele não era uma pessoa qualquer. Qualquer pessoa que gosta de mim e aposta em mim tem de valer a pena.
Paco é um tipo fantástico. Afastou-se um bocado quando eu não cumpri com o que lhe prometi sobre o abandonar o jogo que segundo ele "era um desperdício de tempo, energias e saudinha da boa". - Eu acho que este ano bati o record em promessas não cumpridas. Paco, mesmo conhecendo há pouco tempo não vou esquecer, até porque eu me via nele. Eu sei que é dificil de entender, mas vou tentar explicar. Paco era aquilo que eu sempre quis ser, mas nunca tive coragem. Era um andarilho que adorava conhecer coisas novas, pessoas, lugares, costumes, tudo! E de cada lugar que ele visitava e das pessoas que conhecia, tirava alguma coisa, fosse boa ou má. Acho que ele conhecia muita coisa, bem mais do que eu. Mas isso não impedia de ser humilde e dizer "não sei, não conheço". Assim ele podia saber e conhecer ainda mais. A maioria das pessoas não é assim, quer sempre mostrar que sabe, que conhece, que a les ninguém lhes ensina nada; mesmo que não façam ideia do que seja. Eu às vezes também sou assim, mas queria mesmo ser como o Paco, e assim poder conhecer mais sobre a vida, que é o que me é mais estranho.
Fiquei triste quando Paco foi embora hoje, como fico triste quando grandes amigos se vão. Ontem quando passámos o final de ano juntos - com muito camarão e lulas algarvias (o prato preferido dele)a ouvir Dixie Boys (um grupo por qual ele se apaixonou e fez-me andar a sacar da net as canções deles através do youtube) - ele disse-me que nós éramos muito parecidos, numa altura em que eu falava da vida vazia que levava, dos meus sonhos, dos meus mortos, dos meus fracassos, etc. Fiquei calada e de repente, senti-me muito bem. Não precisava de mais nada. O Paco acabava de comprovar o que demorei certo tempo para construir na minha cabeça. Não concordei logo, mas ele já me conhecia o suficiente para saber que achava a mesma coisa. Hoje, creio que ele também pôde comprovar algumas coisas.
Na maldita despedida, não sabia se dava um abraço ou um beijinho e acabei por não fazer nem um nem outro como deve ser. Estava muito desconfortável e acho que ele percebeu. Ainda assim, consegui manter a minha máscara e tentei rir, descontrair (tudo em vão). Virei as costas quando ele entrou na porta de embarque e chorei. Não foi nada compulsivo, foi apenas um choro de quem vê um grande amigo ir embora. E mesmo tendo dada a certeza de encontros futuros e viagens sensacionais, a realidade crua era que a única certeza que eu tinha era que não tinha certeza de nada. Fiquei vazia por dentro durante um tempo, acho que ainda me sinto assim, mas nós voltaremo-nos a encontrar, sem ser por webcam, amigo. É o que eu prefiro pensar.
Nem de propósito hoje encontrei uma canção ali ao lado que retrata bem...
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