No natal recebi um livro chamado "O Deus das pequenas coisas" de uma autora indiana Arundhati Roy. Fascinada pelo titulo li o livro quase todo nessa noite. O que são as Pequenas coisas? A natureza está cheia de pequenas coisas que quase ninguém dá atenção: São os besouros de barriga para cima a lutarem para se endireitarem esticando as pernas, as cores das borboletas a saltar de flores em flores, aranhas a tecer pergaminhos, formigas trabalhadoras, a parte apodrecida de um tronco de uma árvore, cigarras e grilos a cantar, os peixes miúdos a fugir de peixes maiores, ostras a produzir pérolas, lagos a reflectirem-se como espelhos, o céu em 7 cores quando chove e faz sol.
As pequenas coisas são aquelas esquecidas pelo nosso dia a dia apressado: o telefonema para dizer apenas "Gosto de ti"; "Como vais indo?"; "Estou com saudades"; aquele sorriso de "Bom dia" acenando que está tudo bem; o "obrigado", o "por favor" e o "desculpe". É o parar tudo para ir caminhar e respirar o ar fora das nossas paredes (físicas e mentais)admirar o sol ou a chuva, a lua num céu de estrelas: é o beijo inesperado, o toque "fora de horas". Há muito tempo que eu desconfiava, mas agora sei que as Pequenas coisas são as mais importantes.
As Grandes coisas permanecem dentro de nós e são sempre urgentes, têm alarmes infalíveis, nunca são esquecidas. As Grandes coisas são nos necessárias mas limitadamente, porque quanto mais gigantes se tornam, mais fazem do nosso dia a dia um lugar oco, vazio, sem som e pior do que isso: fazem-nos esquecer o que realmente importa.
Os nossos dias podem ser mais felizes se nos agarrarmos mais às Pequenas coisas porque, no final, são elas que fazem a diferença. Nos últimos tempos ando mais observadora do que já era. As Pequenas perdas, os Pequenos sonhos e desejos, os Pequenos sorrisos, as Pequenas dúvidas, os Pequenos sustos e surpresas, as Pequenas lágrimas, as Pequenas descobertas, as Pequenas certezas, os Pequenos mistérios, as Pequenas lembranças.
"Sempre"
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