Não é uma questão de ter ou não ter vida. Não é e nunca vai ser. É uma necessidade imensa de fazer um intervalo nessa vida. Há quem faça charros, há quem grafiti nas paredes, há quem passe droga à porta da escola, há quem provoque pancadarias em bares, há quem... telefone para chatear, para melgar, para implicar, para ouvir ofensas, ameaças ou mesmo para se rir um bocado e às vezes até chorar. Destressa. Faz esquecer a responsabilidade de sermos sempre nós, formais e classicos, numa vida de todos os dias, que se escolheu para si. Transgredir de uma maneira soft é o que faço de vez em quando. No fim sinto-me a pessoa mais parva do mundo e venho escrever posts ainda mais parvos. É me indiferente os nomes que me chamam, é-me indiferente que me chamem pelo meu nome ou pelo nome do Pedro é me indiferente o que pensam de mim, tal como lhes é indiferente o que eu penso deles. Há alturas na minha vida, espasmos de tempo parado que preciso daquele minuto de atenção que eu sei que me vão dar e que eu preciso tanto naquele preciso momento para paradoxalmente sentir-me viva. Ainda.
Hoje abafaram a trovoada e fizeram-me sentir segura.
Herdei estes números de telefone: 91*****, 91****, 91******, 93*****. Não faço ideia de quem sejam. Quer dizer, sei que o 3º numero é de um tal bigJoe. Nunca os vi mais magros ou gordos. Não sei se são casados ou solteiros. Se são tristes ou alegres. O que sei é o nome que vem à frente do nome e numa tentativa de quebra cabeças encaixá-los numa série de fotos que vinha na PEN. Mas também não quero saber. A intenção é que me dêem letra quando preciso, que façam com que eu não oiça as núvens a bater, que me embalem para adormecer.
Mas eu não tenho muito jeito para este "destressar" que aprendi com o Pedro porque à excepção desse tal big ninguém me liga muito. Acho que o Pedro teve muito mais sucesso e eles gostavam mesmo era dele.
Esta não sou eu. Eu sou a outra. A que tem vida. Mas de vez em quando troco-me por este "triste ser" para sobreviver à vida independente, criativa, responsável (demasiado responsável) que vou tendo nas outras alturas do dia. Falta-me prozac. Mas não é desse prozac que estão a pensar, nem daquele prozac que também estão a pensar. É de prozac mesmo a sério, um novo estimulo que me fizesse vencer de novo, acreditar de novo, fazer-me mover montanhas, não a olhar a meios para estar com. Esse prozac. Esse elixir que volta e meia aparece do nada na vida das pessoas e faz milagres. O fel. O Cálice.
Até lá vou vivendo esta minha vida dupla entre o ser fantástica para alguns e fazer por isso, e ser a anormal para outros e também fazer por isso. Toda a gente tem uma vida pública. Toda a gente tem uma vida privada. Toda a gente tem uma vida secreta.
E este post não é nenhum teste à tolerância de ninguém. O que tem de ser tem muita força a não ser que por motivos de esperança façamos que não aconteça. Mas acredite, estou muito (e arrependo-me de muito pouco na vida) arrependida de naquela altura em que provocava para obter a sua atenção, não ter quebrado a corda. Passo noites a sonhar como teria sido a explicação entre a diferença entre ser tolerante e ser parvo.
Chamaram me a atenção para os números de telemóvel e chamaram muito bem. Já os apaguei...
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